to the one I love

© Miguel Lima (Tomo II)

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Com a Tua Letra

de Assis Pacheco

Fala-se de Amor para falar de muitas
coisas que entretanto nos sucedem.
Para falar do tempo, para falar do mundo,
usamos o vocabulário preciso
que nos dá o Amor. Eu amo-te! Quer dizer: eu conheço melhor
as estradas que servem o meu território.
Quer dizer: eu estou mais acordado,
não me enredo nas silvas, não me enredo,
não me prendo nos cardos, não me prendo.
Quer também dizer: amar-te-ei
cada dia mais, estarei cada dia
mais acordado. Porque este amor não pára.

E para falar da Morte; da enorme
definitiva irremediável morte,
do carro tombado na valeta
sacudindo uma última vez (fragilidade)
as rodas acendedoras de caminhos
– eu lembraria que o Amor nos dá
uma forma difícil de coragem,
uma difícil, inteira possessão
de nós próprios, quando aveludada
a morte surge e nos reclama.

Porque eu amo-te!, quer dizer, eu estou atento
às coisas regulares e irregulares do mundo.
Ou também: eu envio o Amor
sob a forma de muitos olhos e ouvidos
a explorar, a conhecer o mundo.
Porque eu amo-te!, isto é, eu dou cabo
da escuridão do mundo.
Porque tudo se escreve com a tua letra.

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sugestão musical:
R.E.M., «the one I love»