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um dos primeiros erros do Mundo moderno é presumir que os factos passados se tornaram impossíveis.

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[ mais informação aqui e aqui, para quem tiver interesse ]

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«arbeit macht frei» *

 

* «o trabalho liberta», em alemão.

[inscrição do letreiro à entrada do campo de concentração nazi em Auschwitz-Birkenau (sul da Polónia) – uma arcada com cinco metros de comprimento e 40 quilos de peso, feita por prisioneiros judeus]
Na sequência da Resolução nr. 60/7, de 01 de Novembro de 2005, a Assembleia-Geral das Nações Unidas, [ONU] – estabeleceu o dia 27 de Janeiro como o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto“.
 
Portugal determinou, nos termos do nr. 5, do artigo 166º, da Constituição da República  Portuguesa, « associar-se à comemoração internacional, lembrando e homenageando a memória das vítimas que pereceram, assim como assumir o compromisso de promover a memória e a educação sobre o Holocausto nas escolas e universidades, nas nossas comunidades e outras instituições, para que as gerações futuras possam compreender as causas do Holocausto e reflectir sobre as suas consequências ».
[in Resolução da Assembleia da República nr. 10/2010, de 2 de Fevereiro]
o TOMO II associa-se à iniciativa da ONU, para que « nunca mais! ».

dia de Todos os Santos

 
provavelmente acordou bem cedo para ir à missa. afinal, era “dia de guarda” – que era como antigamente se designavam os feriados religiosos.
provavelmente por ser “dia de guarda” deixou mais do que uma vela acesa, no altar lá de casa e à semelhança de muitos dos seus conterrâneos.
provavelmente e porque se fez sentir muito frio na cidade, deixou a lareira acesa para sentir o “quentinho” quando regressasse. aliás, os relatos da época referem que foi um Outono rigoroso.
provavelmente, no seu íntimo, o primeiro abalo não terá durado mais do que sete ínfimos minutos, mas foi o suficiente para testemunhar, em tão curto espaço de tempo, tão desoladora mudança: uma cidade cheia de animação e de movimento, retumbada num montão de ruínas.
provavelmente, após os primeiros abalos, terá entendido que estaria mais seguro correndo para locais descobertos, sem casas nem arruamentos por perto – para o campo se possível, ou também para a margem do rio, ou para a largueza do Terreiro do Paço Real, ou ainda para a Ribeira.
provavelmente terá tido familiares e amigos seus que, se não pereceram pelas pedras das abóbadas dos templos (repletos de fiéis), ou pelas colunas dos altares, que se abateram abruptamente sobre as pessoas desvairadas e indefesas, o foram pelas nuvens de poeira que sufocaram os poucos que ainda conseguiam fugir a tempo, ou então pelas ondas embravecidas do Rio Tejo, que avançaram sobre a Cidade e depois recuaram levando tudo atrás de si.

provavelmente ter-se-á considerado que a Divina Providência esteve contra as gentes de Portugal por motivos que não seriam «entendíveis» aos seus pecadores, daí que a «expiação dos seus pecados» só se pudesse fazer por intermédio de tamanha catástrofe natural.
provavelmente todos aqueles factos somados, por si só, não fossem suficientes para aquela última, mas contribuíram decisivamente para que, por exemplo, a cidade fumegasse por mais cinco dias seguidos.

neste dia, que todos conhecem por Dia de Todos os Santos, eu recordo-o como o dia do nosso “11 de Setembro”: o da catástrofe de 1755.
faz hoje duzentos e cinquenta e sete anos que aconteceu aquele que ficou (tristemente) célebre por ser o primeiro desastre natural da Idade Moderna.
é que, seguido ao terramoto, há relatos de ter acontecido um tsunami.
convém salientar o seguinte, para se compreender a dimensão daquela tragédia:

1) o sismo teve o epicentro no Oceano Atlântico, a Oeste do Estreito de Gibraltar, e terá atingido o grau 8 na escala de Richter;

2) as ondas de choque do terramoto forma sentidas em França e no Norte de África e há relatos de um tsunami na costa da Finlândia;

3) para além da cidade de Lisboa, também toda a costa algarvia sofreu com aqueles fenómenos naturais;

4) Lisboa albergava, à época, perto de duzentas e cinquenta mil almas; pereceram entre dez a vinte mil, que não só em Lisboa;

5) a catástrofe terá feito desaparecer e/ou terá danificado severamente, cerca de 32 igrejas, 60 capelas, 31 mosteiros, 15 conventos, 53 palácios e a Biblioteca e o Arquivo reais.

de referir que a família real escapou ilesa à catástrofe.
o rei D. José I e a sua Corte tinham deixado a cidade depois de assistir a uma missa, ao amanhecer, encontrando-se em Santa Maria de Belém na altura do terramoto. a ausência do Rei, na Capital, deveu-se à vontade das princesas de passar o feriado fora da cidade.
depois da catástrofe, D. José I ganhou uma fobia a recintos fechados e viveu o resto da sua vida num complexo luxuoso de tendas no Alto da Ajuda em Lisboa.
por último, para quem quiser explorar um pouco mais este fenómeno natural e não se queira basear «apenas e só» no “saber” enciclopédico (mesmo que útil, porque prático) da Wikipedia, deixo à saciedade três documentos interessantes:

i) uma selecção de textos sobre o terramoto de 1755, da responsabilidade Mário Cachão [Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa], em 2009;

ii) um ensaio de Zulmira Santos [Faculdade de Letras da Universidade do Porto] que a aborda a hipótese (plausível) daqueles fenómenos naturais como apologia da religião cristã, na época e a partir de um poema de Teodoro de Almeida;

iii) um ensaio de Maria Luísa Borralho sobre a figura de Teodoro de Almeida.

beijinhos e abraços (muito históricos)!

Muito Obrigado! pela tua visita 🙂

11 de Setembro em Outubro

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caríssima(o),
faz hoje um mês que o Mundo recordou os dez anos passados sobre o acontecimento que o viria a mudar e de uma forma radical.
nesse dia, o jornal “Público” publicou uma edição totalmente dedicada a essa recordação, sob o título “a década o onze de Setembro“. nela foi possível a leitura:
1) da reportagem de Kathleen Gomes “NY, uma década depois dos atentados: uma América insegura;

2) da reportagem de Kathleen Gomes sobre o novo memorial instalado no ground zero, em homenagem a todas as vítimas do atentado;

3)  do artigo de Miguel Esteves Cardoso, “este 11 de Setembro;

4) do artigo de opinião de Jorge Almeida Fernandes, “uma catástrofe que não mudou o Mundo;

5) do artigo de Simone Duarte, “o dia em que os tanques entraram em Manhattan;
6) do artigo de Vasco Pulido Valente, “o 11 de Setembro não acabou;

7) da reportagem de Sofia Lorena, “Bin Laden morreu em Trípoli.

 

© Tomo II | NS’
a propósito dessa recordação de má memória, um de vós fez-me chegar a publicação “Notícias Sábado”, nr. 278, de 07 de Maio do corrente ano, dedicada à morte do «terrorista vaidoso».
graças ao Renato, pude ler:

a) o artigo sobre o perfil de Bin Laden;

b) o artigo de Luís Pedro Cabral, “o tuga da Al-Qaeda;

c) o artigo sobre quem são “os 12 maus da fita ao longo da História;

d) os sinais de “o fim do Mundo tal como o conhecíamos;

e) a reportagem especial sobre os “SEALs;

f) o artigo de Joel Neto, “eu celebrei a morte de um homem.

para finalizar, três visões sobre um mesmo homem:

© f. vil’anil

a cadeirada pouco «intensa»

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A má notícia é que a Justiça Portuguesa (no caso em apreço custa-me escrever a palavra com maiúscula) volta às bocas do mundo pelas piores razões. Desta vez é um acórdão da Relação de Évora do afrontoso género “coutada do macho ibérico” inaugurado em tempos pelo Supremo.

Conta a Lusa que os desembargadores anularam a pena de prisão a que fora condenado um “homem” que, desde 2004, «desferia murros e pontapés e injuriava a mulher» e que, em 2008, a «agrediu com uma cadeira no peito», provocando-lhe uma contusão torácica, hematomas na região frontal e na mama e escoriações nos lábios e cotovelo.
Desembargaram os senhores juízes que «a agressão não foi suficientemente intensa para constituir crime de violência doméstica». E que, quanto aos murros e pontapés, «não se lhes conhecendo o número, nem a forma e a intensidade ou o local do corpo da ofendida atingido», deveria o arguido ir em paz com uma módica multa.

A “boa” notícia é que, mal o caso chegou à net e às redes sociais, multiplicaram-se os comentários de indignação – alguns em termos que, não custa a crer, os senhores juízes considerariam com “intensidade” bastante para se sentirem ofendidos na sua honra e consideração (prisão até 3 anos) -, o que parece demonstrar que, não só cada vez mais mulheres não se conformam com as agressões dos companheiros, como também cada vez mais portugueses não aceitam sentenças que vêem como ofensivas de valores sociais fundamentais.

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autor: Manuel António Pina

fonte: jn.pt

ps: as “aspas”, os negritos, os sublinhados e os itálicos são da minha responsabilidade.