dez cenas que me repelem em ti…

© google
… no período do Natal:
1) que, num plano espiritual, dês mais primazia ao Pai Natal e à festa do Consumo do que ao Menino Jesus e à verdadeira festa da Família num julgamento cuja dicotomia que encerra é já milenar;
2) que conduzas como uma autêntica besta, conseguindo, numa só manobra, desrespeitar todo o Código da Estrada;
3) que, à boa maneira tuga, deixes para o último segundo, do último minuto, do último dia que o shopping mais perto da tua residência está aberto ao público, para fazeres todas as tuas comprinhas de Natal;
4) que demonstres todas as tuas boas maneiras, sobretudo as de Educação e de Respeito, quando vais fazer aquelas comprinhas;
5) que permaneças com o teu cu alapado na poltrona todo o período das festas, não colaborando em qualquer tarefa doméstica, deixando todo o trabalho para os outros;
6) que obrigues a restante família a gramar com todos os filmes de época, com o argumento de que «os miúdos de agora não sabem o que é bom cinema»;
7) que repitas todas as piadolas de há (pelo menos) dez anos, sem excepção, e quando o amarelo dos sorrisos de circunstância já se esgotou;
8) mesmo sabendo que a cavalo dado, não se olha o dente, que só te lembres de oferecer peúgas, coturnos, boxers, cuecas, ceroulas & afins, inclusive aos mais pequenitos;
9) que reclames por te terem retribuído, da mesma forma, à gentileza do ponto anterior, e amues pior do que a mais pequena da tua sobrinha/o mais pequeno do teu sobrinho;
10) que fiques a ressonar como um anormal e como se não houvesse Amanhã, mesmo depois de te terem feito sinal de que, hoje já é dia 26 de Dezembro!.
haverá outras situações certamente.
eu, para já, passo-me (só) com estas…


sugestão musical: 




dez coisitas que me melindram em ti…


© Google Miguel Lima (Tomo II)
(clicar na imagem para ampliar)


… enquanto meu vizinho :


1) que gastes o soalho do teu apartamento e desgastes a minha paciência, com aqueles saltos agulha que tanto gostas de calçar a partir de uma certa e determinada hora em que o recato é necessário, desrespeitando o meu direito ao descanso e o dos que me são mais queridos.

2) que infelizmente não sejas como a vizinha do apartamento 2B, e me batas à porta, a desoras, com trajes que envergonhariam um(a) nudista numa praia deserta a sós contigo – ao ponto de me esquecer o que é que pediste emprestado.

3) que abras a porta de entrada do prédio a toda a gente que desconheces em absoluto, incluindo os aborrecidos dos vendedores de operadores de televisão por cabo aos quais acabei de recusar a admissão na propriedade urbana que partilhamos para não ser incomodado com questões que não me interessam (de todo!).

4) que não reconheças as vantagens do conceito de reciclagem e (também de uma forma literal) conspurques a sala comum dos lixos com os desejos que tu e a tua família produzem diariamente.

5) que te estejas a borrifar para aquela cláusula do regulamento do condomínio que proíbe terminantemente o uso de animais domésticos em qualquer fracção do prédio, incluindo a tua. 
e por «animais domésticos» (sub)entende-se que não se refira aos teus descendentes.

6) decorrente do ponto anterior, que não te preocupes com o sossego dos outros e não te incomodes por o canito, que compraste para agradar ao teu catraio, o qual entretanto prefere passar o tempo a jogar PSP, lata a horas um pouco (como dizê-lo…) inconvenientes – coincidentemente à mesma hora em que se pressentem aqueles saltos agulha…
(e já nem aludo à questão da higiene pública e do dever cívico a que estás obrigado, os quais também são uma verdadeira incógnita para ti…)

7) que, por cada vez que regressas de um hipermercado perto de ti, utilizes o elevador (como que) individualmente para transportar os produtos que adquiriste para os teus aposentos, e a horas em que o cão ladra, «o gato mia», aqueles saltos agulha são audíveis, e este pai aqui agonia por uma morte rápida e que nunca mais chega. ou então, que sejas fulminada(o) por um raio que te parta – é-me igual…

8) que sejas tão apologista das Novas Tecnologias da Informação ao ponto extremo (quase máximo) de prescindires de um telefone e optares por verbalizar os teus pensamentos via skype©, os quais são audíveis da garagem.

9) que tenha que me deslocar ao teu (in)cómodo aposento, nessa unidade residencial que nos é comum, para pedir-te, por gentileza, que me devolvas o que pediste emprestado no ponto 2).
(é que, como não és a vizinha do apartamento 2B, não o consigo relevar…)

10) que grites guooloo!” por um clube que não é (nada, mas mesmo nada!) querido por mim, como se não houvesse Amanhã e mesmo para lá do minuto 92 – não sei se me faço entender…

haverá outras situações certamente.
eu, para já, passo-me (só) com estas…


sugestão musical: 




9+1 coisas que repugno em ti…

© Miguel Lima (Tomo II) *

… quando me deparo contigo no que consideras ser uma praxe académica:

1) que desconheças por completo (e em absoluto absurdo) o Código da Praxe da Universidade de Coimbra (por ser aquele que a regula), bem como o da Universidade do Porto (por ser o da minha academia e onde me cruzo contigo amiúde);

1+1) que desrespeites uma regra essencial e que, apesar de naqueles códigos não vir mencionada, deverá estar sempre implícita: o do Respeito pelo Próximo (seja ele caloiro, ou não), relevando a questão da «integração» para planos muito terciários;

3) que te faças valer da capa e da batina para mereceres um (pres)suposto “respeito” de quem nunca te verá com bons olhos e sempre, mas sempre, com maus fígados;

3+1) que, consoante os casos que se seguem, te faças apresentar com um traje devidamente etiquetado e/ou muito bem perfumadinho e/ou calçado com sapatinhos que não estão de acordo com tal indumentária, e/ou com o relóginho de pulso “da praxe”, e/ou com o cabelinho preso, e/ou com brincos, colares, pulseiras, piercings e afins, e/ou com aquele “teu bâton” e/ou com a tua capa sem o Essencial que nela deve constar – ou seja, despida de emblemas – e/ou sem uma folha de papel em branco e uma esferográfica de cor preta no interior da tua pasta de estudante;

5) que demonstres à saciedade a tua douta ignorância pelo ponto primeiro, mostrando alegremente a cor branca do teu traje após o imediato segundo em que o Sol se pôs no mar, e retorques de forma altiva a quem te aponta tamanho erro;

5+1) que desrespeites ostensivamente as hierarquias e, por inerência, não dês provas de respeito e não honres quem tem mais experiência do que tu – um Saber fundamental que servirá para todas as situações nesta vida, que não só as da “dura praxis sed praxis;

7) que desprezes os teus companheiros e sobretudo a tua Moral e bons princípios (!!!), comparecendo no cortejo da Academia, no teu segundo ano, devidamente trajadinho e honrando os pergaminhos expressos no ponto 3+1) – quando, no ano anterior, te revelaste um puro e autêntico “anti-praxe”;

7+1) que não saibas qual a melhor prenda que se pode oferecer a um doutor e/ou um veterano – motivo mais do que suficiente para um “convucatus” aos Leões e uma abstinência de (pelo menos) cinco anos a uma qualquer queima das fitas;

9) que não entendas o que a condição desse «ser assexuado» que é o caloiro é a melhor de todos os anos que passarás na Academia;

9+1) que optes pelo (des)respeito à diferença que te assiste mas que não reconheces nos que não a partilham, satirizando a Praxe Académica da forma mais vil, cobarde e absurda que conheço: envergando um traje académico cujas história e tradição desconheces.

haverá outras situações certamente.
eu passo-me (só) com estas…

* eu, algures no anfiteatro aberto da Escola Superior de Educação do Porto, no meu ano de caloiro, nesse longínquo ano lectivo de 1995+1/1997.

dez coisas que não suporto em ti…

© Google

… quando dou de caras contigo na praia:

1) que desrespeites o meu direito à privacidade, olhando-me de alto a baixo e por mais do que uma vez, despudoradamente. sim!, a tua barriga é (bem) maior do que a minha, admito!
estás mais contente, agora?

2) que anuncies a tua chegada (e dos que te são mais queridos), a altos berros, quando ainda estás a sair do carro, que ficou no estacionamento, a uns bons trezentos metros do local onde me encontro;

3) que invadas o meu espaço de forma deliberada, nele despejando todo o arsenal que trazes contigo – desde os brinquedos das tuas adoráveis criaturas, até às panelas com o bacalhau demolhado de há uma semana -, forçando-me a procurar (por vezes) outra praia;

4) que decidas, por ti e com a anuência da cromada grunha e besta que contigo veio, jogar um qualquer desporto que envolva uma bola, num espaço restrito de 1×1 metros, mas em que eu tenha que levar com a dita na mona de 10 em 10 segundos – e sem direito a um qualquer pedido de desculpas, mas com muitos risinhos paneleiros pelo meio;

5) que, para lá da fruta que trazes, ainda tenha que descobrir as beatas que amável e gentilmente plantas na areia – como que esperando (em vão…) que, nesse espaço e daí a um ano, nasça uma árvore que te abasteça com volumes de SG Ventil;

6) que me forces a comer areia sempre que decidas ir a banhos e/ou retornar daqueles e/ou voltar aos desportos que envolvem uma bola;

7) que faças da imensidão de água à tua frente o teu sanitário preferido – “parte II” incluída -, numa (mais do que) evidente falta de higiene, e que me leva a não querer visitar o teu “lar, pestilento lar”, pela fez social que és e/ou te tornaste;

8) que não controles as tuas adoráveis criaturas – que concebeste com muito amor e carinho, é verdade, mas que não te obedecem, de todo! -, deixando-as “ao Deus dará”, e fazendo com que este que te escreve tenha que as Educar, mas sempre ao teu contra-gosto (logo, forçando-me a procurar outra praia);

9) que não respeites a ordem de quem chamou o sr. das “bolinhas”, fazendo por tudo para seres o próximo a ser atendido, mesmo que à minha frente (que o tinha visto primeiro do que tu, distraído que estavas a plantar cigarros na areia, junto aos caroços de maçã);

10) que não leves contigo o lixo que produziste em duas horas de praia, mas mesmo assim em quantidade suficiente para se espalhar numa área de (pelo menos) dois metros quadrados.
haverá outras situações certamente.
eu passo-me (só) com estas…

* se clicares aqui, ficarás a saber um pouco mais a respeito das “piquenas” que embelezam (e muito!) este post 😉
não precisas de agradecer; eu sei que sou um querido! 😉

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sugestão musical 1: Xutos & Pontapés, «1º de Agosto»

sugestão musical 2: Quim Barreiros, «qual é o melhor dia para casar»

dez coisas que abomino em ti…

… quando nos revemos no supermercado:
1) que a minha primeira impressão sobre ti seja a de que o conceito de “tomar banho” é algo que desconheces, vá lá… desde que atingiste a puberdade – pois para lá do rotineiro fato-de-treino, ainda me presenteias com uma bela camisola caveada; 

2) que passeies (literalmente) em grupo, num espaço como o de um supermercado, ocupando todo um corredor em fila (que não indiana) e me faças ver a tua cara de mau nr. 27 se te peço, por favor, para me deixares passar;

3) que me peças indicações técnicas e deveras específicas, sobre um produto o qual desconheço em absoluto (e também na Realidade), quando no corredor a seguir está lá um funcionário habilitado para dar solução a todas as tuas dúvidas (mesmo as existenciais) – e ainda me queiras bater por te ter dado a conhecer a minha ignorância comercial;

4) que ocupes todo um mostrador com o teu carrinho de compras, e o teu cestinho de compras, e o teu carrinho do bebé, e a tua malinha do computadorzinho portátil, e a tua “eu-sei-lá-mais-o-quê”, quando o que eu pretendo é simplesmente um pacote de ervilhas que está mesmo à minha frente, mas tu estás a bloquear o seu acesso;

5) que me agridas com meiguice, nos calcanhares, com o carrinho de compras que conduzes, mas que (comprovada e dolorosamente) não tens habilitações para tal;

6) que ultrapasses a tolerância de três números prevista para o atendimento, faças um escarcéu, insultes tudo e todos (funcionários incluídos), e, no final, depois de te terem atendido, nem sequer tenhas tido o bom-senso de agradecer tal amabilidade;

7) que não tenhas o discernimento de fazer um pedido, com vários itens, de uma só vez – sobretudo quando há mais do que uma dezena de pessoas atrás de ti, igualmente com a mesma pressa (ou superior) com que tu desejaste ser atendido;

8) que tenhas que provar e/ou depenicar tudo que é alimento, sem demonstrares qualquer interesse em adquiri-lo(s), e só porque resolveste “pular” uma refeição para chegares mais cedo ao supermercado;

9) que (in)tentes, por tudo, passar-me à frente na fila para pagamento – inclusive com o argumento de que «são só estas comprinhas»;

10) que não sejas tão ágil a colocar os produtos na esteira rolante como foste em todas as situações descritas anteriormente.

haverá outras situações certamente.
eu passo-me (só) com estas…

* sugestão musical:  Pulp, «common people»