«a caça é tão bonita!»

 
© Looney Tunes

caríssima(o),
tenho para comigo que, antes de se criticar – que é como quem diz, julgar previamente «certas e determinadas ocorrências factuais» – deve-se passar por essas mesmas situações.
só mantendo esta atitude é que se constroem excelentes comentários depreciativos, daqueles de verdadeiro «bota abaixo.
vem este intróito a propósito da Caça e da «beleza de caçar», como se apregoa, por aí, aos sete ventos.
e como é corrente ouvirmos: «aaahhh! a Saudade!».
e também: «aaahhh! a caça e tal! é tão bonito.

assim sendo, o texto original que se segue tentará descrever essa rara beleza.*
repito: tentará! e na primeira pessoa do singular.
e a não perder, já, já!
(logo a seguir ao símbolo do “faceboKas”®, bastando clicar em «ler mais…»)

por último, 

não sei porquê, mas a expressão «beleza da caça» recorda-me sempre este sketch, ou peça de arte do Humor Nacional 🙂

* escrito a 12 de Janeiro de 2009, no (entretanto precocemente desaparecido) TOMO I.

beijinhos e abraços (“à caçador”, mas sempre muito portistas)!

e Muito Obrigado! pela tua visita 🙂

 
caríssima(o),

pois este final-de-semana, este vosso Amigo, “sempre ao vosso dispor”, foi caçar!
mais concretamente, foi vivenciar as experiências inolvidáveis de uma montaria* na bela região transmontana de Torre de Moncorvo.

[* não!, não envolve(u) qualquer tipo de actividade (sexual ou outra) com elementos do sexo oposto (ou outros) 🙂 ]

ponto prévio: 

depois de (quase) 4 (quatro!!!) horas de viagem, devido ao mau tempo (leia-se frio quase glaciar) que se abateu em território continental, proponho para futuras discussões, e agendamentos, e aditamentos à Lei da Caça, que a dita actividade principie, pelo menos, a partir das 15 horas.
é só para dar tempo de descansar convenientemente, principalmente depois de várias tentativas (goradas) para se abrirem portas de casa-de-banho emperradas «e que assim». 😉

primeira beleza do acto de caçar: 

depois de ultrapassada a tentação em permanecer no (sempre quente e aprazível) “Vale dos Lençóis”, ali para os lados da “Minha Querida Caminha”, deparei-me com a primeira beleza do acto de caçar: a obrigatoriedade de não termos qualquer actividade relacionada com higiene pessoal matinal, por forma a não espantarmos as peças de caça que se pretendem, vá lá, abater, não é?

r’almente aqui radica um tipo de “beleza” muito, mas mesmo muito sui generis. explico.
se não conseguirmos espantar as (possíveis e mais do que prováveis) peças de caça com o (des)agradável cheiro de um bom banho, tomado logo pela fresquinha e de uma carinha laroca com a barba feitinha, então correremos o sério risco de as escorraçarmos com o não menos agradável cheiro a “bedum”*.
sinceramente, se fosse uma bela peça de caça, ficaria indeciso com esta tomada de decisão: fugir de um bando de doidos armados até aos dentes por cheirarem a banhinho tomado ou fugir por emanarem um cheiro nauseabundo a bedum?
como não sou peça de caça, opto por continuar a escrever idiotices, escapados que ficámos da banhoca matinal. e quais putos imberbes da quarta classe, seguimos viagem até ao local onde foi servido o «taco» **

[ * bedumsuor entranhado num corpo melado, após uma (ou mais) noite(s) sem sentir o terrífico benefício da água límpida nos seus mais recônditos orifícios e afins ]

[ ** não!, não me refiro a um qualquer tipo de comida mexicana. e sim!, envolve comida. e muita! 😉 ]

segunda beleza do acto de caçar:

eis a segunda beleza da caça, e tudo no mesmo dia: o (sempre) salutar convívio entre os (que se dizem) caçadores e os restantes convivas num belo pequeno-almoço. este último envolveu umas retemperantes alheiras à Mirandela, chouriça transmontana, paio fatiado, presunto serrano, pão saloio, febras grelhadas na brasa e na altura, canja de galinha e vinho tinto à descrição.
para os que sofrem «do reumático» foi servido Frisumo de laranja e 7UP, e água para os «abstémios».
ou seja: quer eu quisesse ou não, começava a “caçar” cedo. bem cedo. e à bruta! 🙂
e o que eu “cacei”! aquilo é que foi “caçar”! até um principiante a aspirante a caçador como eu “caçou” «até não haver Amanhã, car@go!» 🙂

de referir que o repasto fez-se no local nevrálgico da aldeia: nas proximidades do Café Central, mesmo ao lado da Drogaria e num local de garagem (muito quentinho, por sinal).
a Organização do “evento cultural”, com muitos anos de traquejo e de tarimba nestas andanças, nem se esqueceu de um Caterpillarcom braço mecânico e tudo – quiçá para facilitar a “limpeza” do local, concluído o repasto da manhã.

estou mesmo a ver a cena:
o Tone, com as maçãs do rosto bem rosadas (estava muito frio naquela manhã e ele teve que atestar bem), senta-se aos comandos do bicho e «TAU! XAU! PIMBA! TUMBA!», a parede do lado direito da garagem vem abaixo – tão ou mais rápido do que levou a ser construída. é que o artista guinou à esquerda em vez de virar à direita, para limpar a mesa dos comes e bebes.
e o Tone, impávido e já não muito sereno, remata esta frase de rara sabedoria e muita ciência:

– bolas! caramba, pah! já me meti em trabalhos! e amanhã é Domingo, carago! que maçada!
bem, vou mas é para o Sorteio das Portas. só espero que me saia uma de alumínio, desta vez…

terceiro momento de rara beleza no acto de caçar:

como «não há duas sem três» e «só dá duas quem não sabe dar uma», eis que surge abruptamente e sem pré-aviso de greve, o terceiro momento de rara beleza no acto de caçar:
o verdadeiro trabalho de e no campo. e é neste acto (quem sabe se de bravura ou de rara valentia) que os machos se sentem «Homens com O grande» porque são capazes de permanecer num mesmo local (“sorteado” previamente, a que designam por «porta» e dado que não tem mais do que 1m², entre 3 (três) a 4 (quatro) horas, pelo menos, a mirar a paisagem luxuriante, na esperança (muitas vezes esperança vã) que apareça uma peça de caça. peça essa “trazida” a seus pés pela matilha, entretanto conduzida pelo matilheiro (que também previamente se abasteceu de água, porque o dia iria ser longo. e é «claro como a água» que aquela foi ARDENTE, tendo em conta o frio de rachar que se fazia sentir.
mas, o que seria da Caça sem estes momentos de rara beleza artística, não é?
e são capazes de permanecer nesse mesmo local sem falar com mais alguém que os compreenda, sem fumar «um Garrett», sem comer, sem beber, sem produzir um qualquer ruído vindo do seu interior (seja ele expelido pela boca e/ou por qualquer outra parte do corpo humano), sem manifestar qualquer cheiro mais ou menos nauseabundo, sem evacuar (n)a cena de caça, sem mictar, NADA!
ele é capaz de tudo pela (im)paciência de ter o privilégio ante os seus pares de disparar o «tiro certeiro». mas, se por um qualquer acaso da Vida e da Natureza, falhar o dito tiro (já não tão) certeiro, eis que surge o quarto momento da beleza da Caça.

terceiro momento da beleza da caça:

o quarto momento da beleza da Caça mais não é do que o puro deleite em partilhar com os demais companheiros o «azar» por não poder apresentar uma peça de caça que faça juz a esse belo epíteto.
ele é um desfiar das mais belas e ridículas “desculpas” para o infortúnio do dia. e da semana. e do mês. ou então, até haver nova montaria. porém, se a Ventura teve o condão da Felicidade e da Fortuna e o abençoou com o dom da Precisão, então é vê-lo no próximo «Evento Cultural» com o chapéu de caçador cravejado de pins alusivos à Montaria da Sorte, do rabo da peça de caça preso ao invólucro da bala que teve a ousadia de derrubar a Besta, e com uma das presas desta última – presa essa que deverá ter sido classificada por um Comité Especializado em julgar e classificar as ditas numa escala de mérito que comporta as classificações de: «Presa de Bronze», «Presa de Prata» e «Presa de Ouro» (consoante o seu calibre, a sua dimensão e a sua robustez).

considero o evidenciar os troféus de caça num local curioso, ao bom estilo de caderneta de cromos, o quinto momento de puro deleite do acto de caçar.

quinto momento de puro deleite do acto de caçar:

confesso que o evidenciar os troféus de caça num local curioso, ao bom estilo de caderneta de cromos me fez recordar esses tempos (idos) de Vida Académica e de Boémia na ESEP.
e que o «significado da coisa» é em tudo semelhante na sua essência por quantos mais pins o “Estudante” tiver na batina e quantos mais emblemas tiver cosido na sua capa, mais boémio e mais louco ele é. como eu acredito na Pureza e na Simplicidade do Traje Académico – porque assim também fui ensinado -, considero que fui um pouco louco e, vá lá, doidivanas – mas com muita moderação, porque vivia com a sogra da minha esposa nesses tempos imemoriais.
e como reza a canção de Adoniram Barbosa «Além disso mulher tem outra coisa/Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar/Sou filho único, tenho minha casa para olhar/E eu não posso ficar».

em jeito de conclusão: 

este acto de caçar no terreno encontra-se reservado para aqueles (que se dizem) caçadores e vão munidos com carabinas e afins.
este que vos escreve, como não possui qualquer arma de destruição maciça e o único arsenal de que é detentor é composto por esferográficas e afins, e apenas tem Licença para Uso e Porte de Canetas de Tinta Permanente, aproveitou o (muito) tempo livre para redigir este simpático post.

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desacordo ortográfico

 
© Fernando Schlickmann e Fabrício Pretto | Não Editora

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Desacordo Ortográfico

Já não é só o Centro Cultural de Belém – instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou a Fundação de Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram – Jornal de Notícias, Público, Diário Económico, Jornal de Negócios, para além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam. Ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.

Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico; todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.

São os principais colunistas e/ou opinadores da imprensa portuguesa, como Anselmo Borges, Baptista-Bastos, Frei Bento Domingues, Eduardo Dâmaso, Helena Garrido, Inês Pedrosa, Jaime Nogueira Pinto, João Miguel Tavares, João Paulo Guerra, João Pereira Coutinho, Joel Neto, José Cutileiro, José Pacheco Pereira, Luís Filipe Borges, Manuel António Pina, Manuel S. Fonseca, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares, Nuno Rogeiro, Pedro Lomba, Pedro Mexia, Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Araújo Pereira, Vasco Pulido Valente e Vicente Jorge Silva.

É o ex-líder socialista, Francisco Assis, que se pronuncia sem complexos contra este «notório empobrecimento da língua portuguesa».

É o encenador Ricardo Pais, sem papas na língua.

É José Gil, um dos mais prestigiados pensadores portugueses, a classificá-lo, com toda a propriedade, de «néscio e grosseiro».

É a Faculdade de Letras de Lisboa que recusa igualmente impor o acordo. Que só gera desacordo.

Um acordo que pretende fixar norma contra a etimologia, ao contrário do que sucede com a esmagadora maioria das línguas cultas. 

Um acordo que pretende unificar a ortografia, tornando-a afinal ainda mais díspar e confusa. 
Um acordo que pretende congregar mas que só divide. 
Um acordo que está condenado a tornar-se letra morta – no todo ou em parte. 

»

eu já assinei a petição.

e tu?

«everybody lies»

© Google
não quero acreditar que a mais genial série que tive o privilégio de poder assistir na televisão chegou ao seu final, ontem à noite, com um episódio sob o título de “toda a gente morre (everybody dies)”.
afinal, não se pode esquecer que o lema da dita é “toda a gente mente (everybody lies)”…
vou «acarditar» que, para Hugh Laurie, o fascinante personagem Dr. Gregory House não é só mais uma página virada no longo capítulo da sua representação.
bem sei que o mesmo anunciou, por diversas vezes, que não trabalhará mais em programas de televisão.
também sei que, para além de actor (igualmente cómico), é também escritor e músico – aliás, actualmente ele dedica-se ao seu grupo de blues, tendo lançado “Let Them Talk“, em 2011.
mas, será que (literalmente) não pode dar (mais) uma perninha, para que a série continue?
eu ficar-lhe-ia grato, principalmente por poder voltar a ter” todos aqueles brilhantes momentos com que nos brindou durante estes últimos oito anos 😉
off-topic:

em que o é que este tema se relaciona com a NORTADA de hoje?
pois que não te sei responder, tendo em consideração que me encontro de férias desde 26 de Maio…
e como só regresso ao activo dia 11 de Junho, peço-te delicadamente que me perdoes por não te poder ajudar em tão intrincada questão 😉
(e apesar de, aqui e ali, surgirem alguns posts, os quais estão agendados e por forma a que não se oiçam (muito) os grilos neste espaço) 😉

até lá,  diverte-te!
isto é: «carpe diem! seize the day!» (aproveita o dia!)
eu certamente que o tentarei fazer 😀

sugestão musical: The Who, «baba o’riley»*
* (inspirada nesta cena mítica)

da "coltura"

© Google

«
[…]

pergunta: Como tem visto as mudanças na política cultural em Portugal? Sempre que vem a crise, lá se sacrifica a Cultura…

Miguel Guilherme [MG]: A Cultura tem de deixar de ser tão mariquinhas.
Eu não gosto de choramingões, e há trinta anos que vejo gajos a choramingar e a traírem-se uns aos outros; a andar de punho cerrado e por detrás a lamber o cú ao sr. Ministro ou ao seu Secretário de Estado. Por isso, sabes o que te digo? eu caguei para isso tudo. Podes mesmo escrever: eu caguei para isso, cago para a nossa política cultural.

pergunta: Mesmo que “desapareça” e que deixe de existir um Ministério da Cultura?

MG: Não me interessa! Caguei!
Não vai deixar de existir [um Ministério da Cultura] porque “eles” precisam sempre de fingir que têm Cultura. É tudo tão feio na política cultural… A maneira como os agentes culturais não se unem…

pergunta: Está a falar de subsídios?

MG: Ele há coisas que não deviam ser subsidiadas, pura e simplesmente, ponto!
Estão a tirar o lugar a outros. Os critérios não existem: são os do compadrio, estilo “já que demos a este, agora vamos dar ao outro”. Distribuem-se as migalhas, tentando-se distribuir o mal pelas aldeias. Mas há quem tenha direito ao subsídio: o Teatro de Almada, a Cornucópia, o Teatro Aberto… Quanto ao futuro, não sei… Seja como for, não havendo dinheiro, as pessoas têm de continuar a trabalhar.
Acho que pelo menos 1% do Orçamento do Estado deveria ser para a Cultura, porque esta gera riqueza, só que não é no imediato. Mas o poder político ainda não percebeu isso. Por exemplo, a Comedie Française tem 40 milhões de euros por ano… Há quem diga que é demais. Cá temos pouco dinheiro e pouca atenção.
Historicamente o PSD sempre teve muito pouca sensibilidade cultural – o que é curioso porque o Durão Barroso sempre gostou das artes performativas. Vi-o muitas vezes, tal como ao Paulo Portas, em espectáculos. Mas nunca por lá vi gente dita “de esquerda”…

[…]

»
fonte: ionline.pt

ps: os negritos e sublinhados são da minha responsabilidade.

caríssima(o),

tive conhecimento da entrevista de Miguel Guilherme ao jornal “I” por intermédio do “Avivar“, do caríssimo Nelson Machado. e, tal como ele, achei muito curiosa a entrevista ao ex-arquitecto Jorge Tawny dado que um verdadeiro profissional da área exprima o mesmo sentimento que muitos por esse território bravio afora.
efectivamente a Cultura, em Portugal, é uma área profissional negligenciada sobretudo por quem tem por missão divulgá-la – mormente os municípios e indirectamente o Poder Central. e a principal razão é o atavismo perene no comportamento e na visão destes últimos, de quem não tem a capacidade para compreender que as receitas que a Cultura gera não são imediatas, logo para aguardar. é que a Cultura (também) lida com comportamentos e mudanças de atitude por parte dos públicos-alvo, as quais demoram (em média) duas gerações a se consolidar. e como os presidentes de câmara só podem estar no poleiro por dois mandatos consecutivos…

razão tem o Dragão Vila Pouca em afirmar que:
«este país está para os lambe-cús como os grandes lambedores para os que nele têm mais responsabilidades». e mai’ nada! 😉

beijinhos e abraços (culturais)!
e Muito Obrigado! pela tua visita 🙂

sugestão musical: Boy George, «everything i own»