e ainda ‘falam’ do Olival?!

(clicar na imagem para ampliar)

para memória futura

(não vá acontecer como com o «glorioso» desaparecimento da página das escutas ao ‘orelhas, no mesmo jornal)

«

António Costa referiu-se ao museu Cosme Damião, inaugurado em 2013, como «um equipamento cultural de referência para a cidade».

por Vítor Cid



Inaugurado, em meados de 2013, numa cerimónia que contou com a presença do Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares e do presidente da Câmara de Lisboa – que se referiu a ele como «um equipamento cultural de referência da cidade» -, o “Museu 5lb | Cosme Damião” está em situação ilegal. O mesmo acontece com vários outros equipamentos existentes no complexo do Estádio da Luz, incluindo espaços comerciais, piscinas e um pavilhão. Em causa está o facto dessas construções não cumprirem com aquilo que estava estabelecido no alvará de loteamento que foi emitido pela Câmara Municipal de Lisboa, em 2004. 
A «alteração da licença de operação de loteamento», que vai permitir a regularização desta situação, só foi aprovada em reunião camarária esta Quarta-feira, dia 11 de Fevereiro de 2015, com a oposição do PCP e os votos favoráveis dos restantes eleitos.

De acordo com informações constantes deste processo, estão em situação irregular dois espaços comerciais, um equipamento desportivo, um balneário e duas bilheteiras, bem como o edifício principal (com uma superfície de pavimento superior a 18 mil m²) – o qual alberga o museu, as piscinas e um pavilhão. O Estádio da Luz é a excepção, sendo a única construção que se encontra licenciada.   

O Museu que foi distinguido com o “Prémio Museu Português 2014”, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia , abriu as portas em Julho de 2013. 
Na altura, segundo se diz numa notícia publicada no site da autarquia, António Costa agradeceu ao 5lb o que considerou ser «uma dádiva à cidade» e realçou «o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal no âmbito dos Planos Directores Municipais e nos Planos de Pormenor», para «permitir que este museu aqui esteja».    
Certo é que, só em Abril de 2014, é que a 5lb Estádio – proprietária do lote em questão , submeteu ao município de Lisboa o necessário «pedido de alteração da licença da operação de loteamento». Com ele, para além da regularização das construções já mencionadas, aquela entidade pretendia obter “luz verde” do município para fazer um dos edifícios existentes crescer dois pisos e acrescentar um piso a um balneário. Tudo somado, está em causa um aumento da superfície de pavimento de mais de 38 mil m²

«Como é que é possível que se tenha construído aqueles edifícios sem qualquer licenciamento e que a câmara o tenha permitido?», pergunta o vereador Carlos Moura, sublinhando que «as obras não foram feitas secretamente e anos depois apresenta-se uma proposta de resolução, que além disso permite aumentar a construção», condena o autarca comunista, lembrando que «esta questão atravessou várias gestões camarárias».

E as críticas não ficam por aqui, já que a proposta, aprovada esta Quarta-feira, prevê também «a submissão à Assembleia Municipal de Lisboa da aceitação da isenção do pagamento da taxa TRIU [Taxa pela realização, manutenção e Reforço de Infraestruturas Urbanísticas] e da compensação urbanística (…) respeitante unicamente ao uso de equipamento e serviços complementares à actividade desportiva, que corresponde a 95% da superfície de pavimento». 
A oposição a esta proposta que, segundo disseram ao PÚBLICO vários eleitos, envolve um montante de cerca de 1,8 milhões de euros, foi alargada: PSD, PCP, CDS e a vereadora Paula Marques (dos Cidadãos por Lisboa) votaram contra, e o vereador João Afonso (do mesmo movimento) absteve-se.  

«É completamente inaceitável, diz Carlos Moura. 
«Os portugueses e os lisboetas, não conseguem já aceitar este tipo de tratamento diferenciado», afirma, por sua vez, o vereador social-democrata, António Prôa, que não hesita em falar num «tratamento de favor” ao 5lb»
Também o vereador centrista, João Gonçalves Pereira, mostra-se contra uma isenção de taxas a esse clube, sublinhando que teria a mesma posição para qualquer outro.
Já Paula Marques explica que votou contra por entender que «não é correcto isentar do pagamento de taxas um clube de futebol, entidade que não é uma associação sem fins lucrativos, especialmente na situação em que estamos a viver, na situação que o país está a atravessar».

Tanto a vereadora dos Cidadãos por Lisboa, eleita na lista do PS, como António Prôa e João Gonçalves Pereira frisam que a sua posição poderia ter sido outra se a isenção se aplicasse exclusivamente a equipamentos para a prática desportiva.

[]

»

estou curioso para saber qual será a opinião dO leonor pinhão sobre este assunto (ou será «não-assunto»?), depois da forma como botou faladura, em Maio de 2014
disse!
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do sermos os donos do nosso próprio destino…

caríssima(o),
neste período pós-embrulhos de Natal e em que é tão normal tecerem-se considerandos avulsos sobre balanços & afins, resolvi inovar e compor uma piquena posta de pescada® acerca do que fez o britânico Southampton (e cuja notícia, que desconhecia em absoluto, li originalmente aqui), (cor)relacionando todo o meu pensamento com este rumor aqui, com origem (britânica) aqui e datada de Agosto deste ano.

quem me conhece, sabe que, entre (muitas) outras, há duas questões do quotidiano do nosso clube do coração que me inquietam.
a primeira prende-se com a promoção (mormente internacional) da marca FC Porto®; a outra é a já célebre tese controversa do ‘merchandising‘ do Clube.

da primeira, considero que o Clube, tendo em consideração, por um lado, a sua grandeza e em linha de conta a projecção que pretende por outro, deveria desenvolver esforços válidos e substantivos para que a questão colombiana não tenha sido um fogacho, como que um episódio único e singular, portanto irrepetível…
não!, a minha opinião é precisamente inversa àquela postura e, tal como os grandes tubarões do futebol europeu já o fazem e há muito tempo, à nossa escala deveremos expandir a marca (que indelével e indubitavelmente é sinónimo) de Qualidade e para onde nos querem Bem.
mais do que um qualquer recôndito lugar do Oriente, cujos olhos dos locais já estão (literalmente) em bico com os clubes espanhóis e britânicos, a Colômbia deverá ser o primeiro país de um autêntico filão sul-americano que teremos que explorar, e onde a Escola ‘Dragon Force‘ de Bogotá é só o seu prenúncio. aliás considero-o bem mais importante e muito mais premente do que, por exemplo, o mercado Angolano e apesar da mais recente viagem presidencial ter sido um êxito. a razão principal explica-se  sobretudo por este último ter «gloriosos» interesses por lá instalados e aos quais nos será difícil sobrepor, sequer impor!

da segunda questão, principio por, mais uma vez, revelar despudoradamente à saciedade que, em tempos não muito idos, adquiri um equipamento (mas com Qualidade!) na candonga. os motivos por que o fiz foram expressos in situ‘ próprio, sendo que já o repeti por mais três vezes, desde então. e com resultados muito agradáveis (por que satisfatórios). mas, sempre te digo que, na minha terra e nas minhas finanças, vinte e cinco euros são sempre menos (bem menos!) do que oitenta euros. e que quem fixou este último valor comercial não tem em conta, mais do que a minha realidade económico-financeira, a condição social de todo um pequeno País periférico e do Sul da Europa…

portanto e para lá das pertinentes questões estatutárias que deveriam ter estado sempre presentes aquando da elaboração dos equipamentos do nosso clube do coração e independentemente de nomes conceituados de marcas de artigos desportivos, a minha opinião é que o FC Porto poderia considerar seriamente a hipótese de conceber a sua própria marca/label.
atenção que não estou a afirmar que se devam desrespeitar os acordos entretanto celebrados! o rasgar contratos por dá cá aquela palha é uma tentação à qual felizmente somos alheios, sendo uma realidade à qual não é alhei(r)a uma qualquer agremiação da Segunda Circular.

as razões são fáceis de apontar e cito-as quase que de cor e salteado, e ao sabor da pena, e para além dessa necessidade premente de se gerarem receitas suplementares a uma qualquer venda de direitos comerciais e desportivos de um qualquer jogador:

«

» 100% das receitas geradas pelas vão inteiramente para o Clube;

» aqueles lucros não estão dependentes de aspectos comerciais impostos pelas marcas de equipamentos desportivos;

» Clube pode rentabilizar todo o investimento com alguma relativa facilidade, decidindo por si e sem imposições externas, por exemplo, quais as quotas de vendas para os equipamentos principal e alternativo;

» Clube pode soberanamente escolher as cores dos equipamentos e tendo em consideração a sua identidade própria, ao invés da que está na moda, o que faz com que os adeptos adiram mais facilmente à compra;

» todos os seus sócios, adeptos e/ou fãs sabem que, ao comprar uma camisola, estão a depositar dinheiro directamente no Clube.

»

haja vontade para que esta possa ser uma realidade a breve trecho e em consonância com um novo patrocinador para as camisolas e/ou naming do Estádio.

disse!

desses afamados fundos sem "poços" (de petróleo, ou outros)…

© google
caríssima(o),
vamos conversar um pouco sobre Futebol?

não!, não me refiro ao atropelo alemão de ontem, em Salvador da Bahia, sequer às hipotéticas (por que patéticas) justificações para uma copiosa derrota que muito deveria envergonhar quem teve a (ir)responsabilidade de escolher os seus protegidos, mais pela bajulice e adulação do que pelo mérito desportivo.
não!, também não me irei referir às pseudo-contratações pré-anunciadas e sempre oficiosas por parte de quem tem por missão primeira (primária?) vender papel e/ou ganhar audiências ao invés de primar pelo rigor informativo.
não!, muito menos irei questionar o arranque da próxima época desportiva do nosso clube do coração, sobretudo pela parte da minha pessoa, que deposita total confiança em quem gere os destinos do FC Porto há mais de trinta anos, com o êxito que se (re)conhece e com a jovialidade dos seus 76 anos de idade.

acima de tudo, preocupou-me (bastante) o teor da notícia que se segue:

(clicar na imagem para ampliar)
eis a parte que ressalvei:

«

Até ao momento, ainda não foram fornecidas as informações solicitadas pela UEFA, pois os clubes têm vindo a analisar juridicamente, junto com os parceiros de cada um dos contraentes dos acordos estabelecidos, quais as informações que podem ser prestadas. É que, em causa, estão as cláusulas de confidencialidade existentes nos contratos. Por ora, o diálogo impera; mas a relutância existente pode suscitar outro tipo de intervenção do organismo que tutela o futebol europeu.

»

no meu entendimento, a dita deverá ser intercalada com esta aqui, datada de Abril deste ano, mormente com a parte que se destaca – e com a devida vénia para o reflexão portista, na pessoa do caríssimo José Correia:

«

A breve trecho, a inscrição de jogadores para participação nas provas europeias só será possível desde que todos os direitos estejam concentrados no clube ao serviço do qual o jogador milite. A participação de terceiros nos direitos económicos dos atletas será vedada, à semelhança do que já acontece em Inglaterra, França e Polónia. 

»

mas o que é que eu percebo de fundos de jogadores?! nada!

o que é que eu sei sobre o fair play financeiro da UEFA?! bolha!

que soluções alternativas aos fundos de jogadores deveriam ser aplicadas?! «sei lá!»

agora, o que eu sei é que:

» não me contento  com golos, jogadas brilhantes, goleadas à antiga e momentos kelvin  há outras questões para lá dessas, igualmente importantes (apesar de menos interessantes e emotivas para um adepto de bancada como eu);

» não vou à bola com o emproado do Michel Platini, na exacta proporção que ele decididamente não nos grama, nem um bocadinho;

» o tal fair play financeiro da UEFA decididamente é uma grande treta, sobretudo para os grandes tubarões do futebol europeu – basta atentar no ridículo das multas ao City e ao PSG face à severa punição ao Málaga por igual incumprimento financeiro;

» mesmo não sendo um entendido em análises de Relatórios&Contas de SADs, e mesmo percebendo que a conciliação da administração financeira com a gestão desportiva é «uma estratégia de risco», considero que a situação económica do Clube é muito negativa  e não pretendo compará-la com a realidade dos outros (certamente pior do que a nossa, mas que não me interessa para rigorosamente nada);

» em caso de um eventual incumprimento financeiro, por parte do nosso clube do coração, uma hipotética punição, a ocorrer, será certamente (e no mínimo) exemplar;

» no curtíssimo prazo, o Clube terá que encontrar soluções desportivas para o recurso (quase que) sistemático aos fundos de jogadores e mesmo que com consequências na prossecução dos objectivos primordiais em cada época que se inicia, i.e., ser campeão e conseguir o indispensável apuramento para a Champions;

» decorrente do ponto anterior, a aposta na formação do clube deverá ser encarada com (ainda) mais seriedade, por parte da Direcção do Clube  e tal como já o tinha preconizado;

» também num curtíssimo prazo, haverá necessidade de a Direcção do Clube explicar aos sócios, aos accionistas da SAD e à massa adepta em geral – exactamente por esta ordem -, qual o caminho a seguir relativamente a este tipo de questões financeiras que, de certa forma, colidem com as nossas expectativas desportivas, para cada época que se avizinha e que são indistintas de uma trivela e/ou de uma bola que bateu no poste e não entrou e/ou de um ressalto de bola maldito e/ou de um golo de bandeira e/ou de um livre directo à gaveta

disse!

brevíssimos considerandos…

© google
caríssima(o),

antes de tudo e não parecendo despiciendo, já não há pachorra para o nacional bacoquismo acerca da provável prestação da equipa (que decididamente não é) de todos nós“®, em terras de Vera Cruz… ainda não começou a competição em causa, e já sinto náuseas. custa-me admiti-lo, pelo abstracto inerente ao personagem em causa, mas tem razão bagão “papa hóstias” félix quando escreve, em F de ‘futebol’:

«

MOMENTO I: 

passo pelos canais noticiosos. O primeiro que vejo acompanha freneticamente um autocarro. O segundo segue o mesmo autocarro com entusiasmo. Continuo o zapping. O terceiro relata, com emoção, a marcha de um autocarro, suponho que o mesmo. O quarto canal faz tal e qual, entrecortado por uma exegese da viagem. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade. 

MOMENTO II: 

passo pelos canais noticiosos. Deparei com uma conferência de um jogador. Uma conversa feita de nada. Minutos a fio que nem o Presidente da República tem. Mudei de canal, mas era o mesmo. Canal seguinte: ainda a mesmíssima oca excitação. Mudo quase instintivamente de canal; mas lá permanecia o rapaz da bola. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.

MOMENTO III: 

passo pelos canais noticiosos. No primeiro, vi imagens de uns rapazes a fingir que treinavam com um locutor empolgado a dizer banalidades. Mudei, mas a cantiga era a mesma. Voltei a mudar e ouve-se a 326.ª lição anatómica de um tendão rotuliano. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.

Dizem que é assim por causa do esplendor das audiências que exige uma overdose nauseante e circense à volta do Mundial. A acefalia assentou praça. A televisão pública (para a qual pagamos a taxa audiovisual), no seu canal informativo, vai ter «cerca de 8 a 10 horas diárias de informação sobre o Mundial, com o antes e o depois dos jogos» como disse um dos seus responsáveis. Nunca o F do Futebol foi tão alienante…

Declaração de interesses: 

Gosto muito do meu País. E de futebol… jogado.

»

sobre as eleições na Liga e depois das mais recentes afirmações de José Manuel Meirim, com a desmontagem da argumentação invocada para só se apresentar uma lista a votos, registo (sem muito espanto…) que nunca um Presidente da Assembleia-geral teve tanto poder, privilégios e conluios com a Presidência do órgão em causa.
e que, nem assim, se compreendem aquelas inqualificáveis declarações do burro do Carvalho

© google
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depois, a propósito da nossa derrota, no hóquei em patins, em Turquel, para a Taça de Portugal da modalidade, e para lá da «agressão de Edo Bosh a carlos lópez», num descontrolo emocional que só é incompreendido por quem não assistiu à partida mas que, mesmo assim, não o justifica e se condena, há imagens que ficarão para a posteridade.
principio por, em vésperas da decisão do campeonato, a FPP ter nomeado a mesma dupla de árbitros para os jogos da 29ª jornada (!!!Candelária vsFC Porto e 5lb vs.Valongo, de seus nomes luís peixoto (Lisboa) e miguel guilherme (Lisboa).
acerca desta final four da Taça, retive o facto de o Conselho de Disciplina da FPP ter «reunido de urgência» para despenalizar um jogador e o treinador do 5lb que, de outra forma, não poderiam estar presentes no encontro da final.
lembras-te destes dois temas terem sido abordados na comunicação social? eu (também) não.. e sem querer desculpabilizar uma má época desportiva, em que claudicámos em todas as finais disputadas, em todas as provas envolvidas, razão teve Tó Neves quando desabafou que «alguém tem de responder por isto e dizer por que o FC Porto não é tratado da mesma forma que o 5lb»

as últimas imagens para a posteridade são as que se encontram ali em cima, da inteira e exclusiva responsabilidade por parte de um grupo de adeptos energúmenos que, dos três clubes (ditos) grandes, são os únicos que permanecem ilegais (no sentido em que desavergonhada e desassombradamente afrontam o estipulado na Lei nr. 16/2004de 11 de Maio) mas que, quando se deslocam à InBictaem manada, mobilizam meios como mais ninguém em Portugal Continental, suportados pelos impostos pagos por todas(os) nós…


© google
(clicar na imagem para ampliar)
já em relação aos equipamentos do nosso clube do coração.
talvez o problema seja meu, mas só entendo o alternativo em cor-de-rosa, numa estratégia de marketing concebida para cativar o público feminino afecto ao FC Porto.
e, mesmo assim, mantenho as minhas muito reservadas reservas, no sentido em que contradizem o que está estipulado e consagrado nos Estatutos do Futebol Clube do Porto, mormente no seu art. 10º – e por mais «vantagens comerciais» que daí possam advir, pois que há valores que o dinheiro não deveria comprar…
© google | memória portista
(clicar na imagem para ampliar)
para finalizar, deixo-te com um pensamento em jeito de reflexão:

portista que é portista não conduz um carro de cor bermelha, nem que seja um Ferrari™.

aliás, a marca do cavallino rampante já possui veículos automóveis com cores alternativas àquela. que se inspirem na estória do Madjer e do seu Toyota, aquando da final de Tóquio.
a imagem acima, para além da beleza, da história, das estórias e do imenso mérito desportivo que contém, serve para avivar a memória de algumas(uns) visitantes que por cá gravitam e tecem considerandos pueris e imberbes acerca de «tripletes»

disse!

(in)decências



«

queremos um país decente!


Com a devida vénia, cito aqui uma frase escrita na última edição do jornal EXPRESSO, por Henrique Monteiro, na crónica que publica na última página do semanário: 
« Ao preço a que temos pago esta crise não quero mais um país mixuruca (como dizem os brasileiros). Quero um país decente. Um país competente, com uma administração pública adequada às necessidades, sem boys a cada esquina, sem corrupção, sem discursos inflamados e extremistas de reviralhismo de café. Quero um país europeu! »
É impossível não estar de acordo com isto, dada a extensão gigante do que nos tem sido pedido.

Sabemos todos que o quotidiano dos portugueses é, hoje, o que há uns anos ninguém se atreveria a prever. É verdade que os mais realistas (então apelidados de “miserabilistas”, para dizer o mínimo) foram falando dos erros de estratégia e de trajectória, que sucessivos (des)governos iam cometendo. Mas ninguém julgaria que pudéssemos chegar ao ponto em que estamos!
E em que ponto estamos? Estamos no ponto em que a palavra “decência“, forte no conteúdo, saiu do dicionário, sendo substituída por outra, que serve para justificar uma coisa e o seu exacto oposto: a “inevitabilidade“.
É em nome do
Inevitável que se atropelam direitos uns atrás dos outros. É em nome do 
Inevitável que jogamos um jogo em que as pessoas são meros factores de uma equação matemática em que, no fim do dia, o que verdadeiramente interessa é que as colunas do Excel batam certo. É em nome do Inevitável que e para regressar a Henrique Monteiro, descemos ao estatuto do «país mixuruca». Absolutamente mixuruca.

Sim!, porque só um país absolutamente «mixuruca» permite que os mais fracos, os que mais sofrem, os que pouco ou nada têm, possam ser ainda mais fracos e sofrerem ainda mais. O texto que sustenta a manchete da edição de Domingo do JORNAL DE NOTÍCIAS é o exemplo mais chocante dessa realidade. É difícil imaginar pior. O que a jornalista Inês Schreck escreveu não é um murro no nosso colectivo estômago: é um valente soco nas fundações de um país que abana e ameaça cair. É uma vergonha!

Cito-a: 
« Há cada vez mais doentes oncológicos em grandes dificuldades económicas. Não têm dinheiro nem para comer, pondo em risco a própria recuperação. Os pedidos de ajuda disparam. »
Estamos, portanto, a deixar morrer pessoas com cancro que não têm dinheiro para se alimentar, ou para pagar as consultas e os medicamentos de que necessitam.

Cito o presidente do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro: 
« Há famílias inteiras que, de um dia para o outro, ficam na miséria, porque o cancro atingiu o único elemento [do agregado familiar] que trabalhava. »

Cito o retrato dramático de uma dessas famílias: o pai está inválido e desempregado; a mãe tem um cancro raro e hereditário em estado avançado e duas filhas menores a seu cargo, sendo que uma delas também é doente oncológica; todos vivem agarrados a uma pensão que não chega aos 300 euros.

Cito, em conclusão, um país que se entretém com o «reviralhismo de café». Cito um país que deve envergonhar-se de si próprio. Um país que não é decente.

»

autor: Paulo Ferreira
fonte: Jornal de Notícias (2013-1210)
psos negritosos itálicos e os sublinhados são da minha responsabilidade.


[ peço desculpa por este (im)pertinente aparte no quotidiano azul-e-branco deste espaço de opinião pública  (excepto para os teimosos dos lampiões que persistem em gravitar onde não são minimamente desejados), mas como reza o adágio popular, quem não se sente não é filho de boa gente. aquele conjunto das acções de escrita (nem sempre) praticadas todos os dias e que constituem uma rotina inclusive para quem o visita por Bem, segue dentro de momentos. ]

disse!